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setembro 11, 2006
Cebolas

Não uso relógio praticamente à duas décadas. Por uma razão inexplicável paro todos
os relógios e se persistir em usar no pulso mais do que uns dias o mecanismo fica
completamente perro excluindo qualquer tipo de arranjo. Os dois únicos exemplares
que possuo foram oferecidos por pessoas que não perceberam este meu handicap.
Na escola, depois de várias tentativas de levar relógios da minha mãe para os exames
(os meus nunca funcionavam...) e de invariavelmente voltar com eles mortos,
a minha família compreendeu que eu tinha um problema. Eu compreendi que era um objecto
a evitar. Depois dos relógios ainda houve uma tentativa por parte dos meus familiares
de culparem-me pelas constantes avarias de uma máquina de fotocópias.
Mas como só existia um exemplar consegui descartar-me sempre das culpas.
A culpa era da máquina. Existissem várias e estava lixada.
Antes da era dos telemóveis consegui especializar-me em ver as horas nos pulsos
dos outros. A única altura traumatizante foi quando no ciclo apareceu a moda dos relógios
de mergulhador. Tentei levar umas barbatanas e garrafas de oxigénio na vã tentativa de ser in
mas ninguém percebeu.
Confesso que nunca perdi muito tempo a pensar no caso, resolvi atribuir as culpas aos genes.
Sou filha de uma pessoa que oxida tudo o que toca que seja metálico. Somos uma família
com poderes mas que não servem para nada, só para dar chatices. O Rei Midas tocava
nos objectos e transformava-os em ouro, nós só estragamos e oxidamos. Vem esta lengalenga
toda a propósito de ter recebido o meu terceiro relógio, um presente oferecido com a melhor
das intenções, e o qual não consegui recusar nem explicar o meu super poder com medo
de cometer uma desfeita. Ao longo dos anos a explicações que ouvi para este fenómeno
são as mais variadas, de baseadas em factos científicos a puras especulações delirantes,
já tenho uma lista interminável.
Há de tudo como na farmácia.
Publicado por s* às setembro 11, 2006 09:58 AM
Comentários
Pois, hoje o meu relógio biológico oxidou também, o cuco estava rouco não me conseguia acordar. Diria mesmo que isto de sair acorrer com os sapatos na mão e as cabulas na outra para a reunião, é uma verdadeira adrenalina. Realmente o melhor mesmo, é não carregar o tempo, se não estes momentos de adrenalina pura acabam. Beijo ás 10 para as 2h.
Publicado por: Manuela às setembro 12, 2006 10:15 AM